ENTREVISTA: A aposta de Moisés Chaves com o Bankaool

A chegada do empresário costarriquenho ao México não foi nada fácil. Dúvidas sobre a origem de sua fortuna, a seriedade de seus planos de investimento e uma visão pouco ortodoxa do setor bancário foram alguns dos desafios que ele enfrentou, e certamente não serão os últimos.

Com ativos sob gestão superiores a US$ 48 bilhões, que ele usaria para financiar seus planos no México, Moisés Chaves pretende que o Bankaool se torne a espinha dorsal de sua estratégia para, primeiro, integrar diversos negócios que inicialmente parecem bastante díspares e, posteriormente, construir um ecossistema empresarial completo no país.

“Cheguei a um México que, honestamente, descrevo como um rio turbulento, mas não o agitei; eu era apenas mais um pescador”, diz Chaves em entrevista. Com apenas 36 anos, seus investimentos abrangem maçãs, carne, medicamentos, remessas, gasolina, painéis solares e tecnologia, sua paixão, com a qual ele quer redefinir a experiência do cliente no setor bancário. E não apenas no México, mas também na América Latina.

La pura vida

Os primeiros passos de Chaves no mundo dos negócios foram dados em uma empresa têxtil familiar na Costa Rica, onde ele confessa que sua principal lição foi que, para qualquer negócio, o mais importante é sempre colocar o cliente em primeiro lugar. Isso pode parecer um clichê, mas esse princípio foi decisivo para moldar a visão empresarial do empreendedor, pois, ao incorporar a tecnologia, o resultado foi um modelo híbrido que oferecia experiências digitais sem sacrificar a conexão humana.

O sucesso da empresa familiar permitiu, primeiro, alcançar um preço de venda atraente e, em seguida, usar o dinheiro para criar um fundo e estabelecer um family office para buscar empresas em dificuldades financeiras, ou os chamados ativos problemáticos — uma estratégia que ele aplica em várias etapas do crescimento de seus negócios e empresas.

Mais que inspiração

Mas Moisés Chaves, inquieto, voltou seu olhar para a Ásia, atraído pelos modelos digitais que revolucionavam o mundo com sua rápida penetração. Mudou-se para Singapura, onde, em vez de importar uma solução ou buscar uma aliança para retornar à Costa Rica, decidiu aceitar um emprego na Grab, um superaplicativo fundado em 2012 por Anthony Tan e Tan Hooi Ling, que se conheceram na Harvard Business School. Ao final dos estudos, apresentaram um modelo de negócios inspirado na base da pirâmide, que se tornou o alicerce da Grab.

Lançado inicialmente na Malásia como um aplicativo para conectar táxis disponíveis a passageiros, o Grab, 13 anos depois, é um “superaplicativo” completo que abrange desde entrega de comida e encomendas até reservas de hotéis e voos, além de acesso a serviços financeiros e de saúde próprios e de terceiros.

Sua holding está listada na Nasdaq, uma bolsa de valores com valor de mercado de US$ 26 bilhões. A Grab opera em mais de 800 cidades em oito países do Sudeste Asiático: Camboja, Indonésia, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã; e atende a mais de 42 milhões de usuários mensais.

Com uma em cada 20 pessoas no Sudeste Asiático usando a Grab para comer, viajar ou pagar diariamente, nos integramos perfeitamente ao cotidiano de milhões de pessoas em toda a região.

Retornar às origens

 

A estadia de Chaves em Singapura foi mais do que uma simples imersão ou experiência profissional. Com os recursos disponíveis e o desejo de começar a investir e moldar seus planos, ele e alguns parceiros locais adquiriram a oBike, uma empresa de aluguel de bicicletas que enfrentava dificuldades financeiras, em 2019. Seu objetivo era trazê-la para a Costa Rica, adicionar o aluguel de scooters e dar os primeiros passos rumo a uma opção de pagamento que consolidasse diversos serviços no país.

Mas primeiro, ele precisava lançar um programa piloto, cujos resultados superaram rapidamente suas expectativas. Três meses depois, ele se aventurou no setor de serviços financeiros com o Grupo OMNi. “Em um mercado pequeno, e com altíssima adoção digital como a Costa Rica, alcançamos 42% de adesão da população total; operamos como um parceiro digital de uma instituição financeira”, resumiu o empreendedor, que optou por não lançar seu próprio banco digital, preferindo explorar outras vias para avaliar a resposta do mercado costarriquenho.

E os serviços financeiros oferecidos por meio de terceiros também experimentaram um crescimento explosivo, impulsionados por campanhas publicitárias inovadoras e impactantes e por ofertas tecnológicas. O Grupo OMNi não só começou a ganhar clientes, como também a criar inimizades, principalmente entre os bancos tradicionais da Costa Rica, que enxergavam uma ameaça latente aos seus negócios.

Foi então que uma campanha midiática contra a empresa foi lançada e, por fim, seu parceiro financeiro cedeu e decidiu se retirar do negócio. Pouco tempo depois, o Super App, ainda em desenvolvimento, inevitavelmente encerrou suas operações na Costa Rica.

Se você quiser ler com exclusividade sobre os planos do Grupo OMNi no México, confira a matéria completa na nossa revista EL CEO, disponível na Sanborns e no seguinte link:

https://www.magzter.com/es/MX/El-CEO/EL-CEO/Business/

 

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